Como medimos: base de produção do BrazilGrid, 04/10/2026, e notícias com data de publicação. Acerto é previsão emitida ANTES, no lugar certo; alarme que acende com o evento em curso é aviso do agora e não conta. As melhorias foram validadas fora da amostra e estão em sombra: nada disso mudou o que está no ar.

Achado

Vimos as duas grandes tempestades de 2026 no Sul chegando com um a dois dias de antecedência na rede, mas não avisamos a linha que perdeu a torre e subestimamos o vento. No fogo, o alerta de linha diz mais "o fogo já está aqui" do que "vai chegar". Nas cheias, a vazão prevista que gravamos teria avisado o rio das Antas com 3 a 4 dias, mas nenhum alarme a lia.

1. Tempestades e ciclones no Sul

Nas linhas do RS, SC e PR com vento forte ou tempestade severa observados, a fração com previsão de vento ou tempestade na mesma linha nas 48 h anteriores foi de 88% em 06/08, 98% em 07/08, 86% em 20/09, 83% em 21/09, 14% em 01/09 e 22% em 03/10 (histórico de alarmes BrazilGrid, 04/10/2026). A previsão de rajada erra para mais: em 49,1% das linhas-dia com previsão não veio vento nas 72 h seguintes (10/07–04/10/2026).

Top 3 erros

  1. A torre que caiu, 21/09/2026. Uma torre de 525 kV caiu entre Vila da Quinta e o Taim, e quase 14 mil consumidores ficaram sem luz em Santa Vitória do Palmar e no Chuí (A Hora do Sul, 21/09/2026). Na linha Marmeleiro 2/Povo Novo C1 não houve previsão antes: só raio à meia-noite e vento em aviso a partir das 2h, já durante o evento.
  2. Vento subestimado, 21/09/2026. A maior rajada prevista no RS foi de 85 km/h (para 20/09) e, para 21/09, de 75 km/h, sempre em aviso. O medido chegou a 115,8 km/h em São Jerônimo e 113,7 km/h em Rio Grande (NC News, 21/09/2026).
  3. Chapecó (SC), 03/10/2026, e 31/08–01/09. Só 22% e 14% das linhas atingidas tinham previsão. Em Chapecó, cerca de 43 mil unidades ficaram sem luz (Jornal Razão, 03/10/2026).

Causa medida e o que mudamos

Top 3 acertos

  1. Ciclone-bomba, 06–07/08/2026, extremo sul do RS. Desde 04/08 às 4h, cerca de 60 h antes, havia previsão de vento forte nas linhas de 525 kV do corredor de Santa Vitória do Palmar. Ali, 26 estruturas da linha de 138 kV foram danificadas (ABC+, 09/08/2026) e o ONS registrou corte de carga da CEEE-D com 1.821 MWh não supridos. Por quê: ciclone grande, que o modelo global resolve bem.
  2. Sistema de 20–21/09/2026. Em 17/09, três dias antes, 19 estações do RS, 23 de SC e 28 do PR estavam em alarme de tempestade para 20/09.
  3. 28/08/2026. 74% das 107 linhas atingidas tinham previsão; o ONS registrou corte de carga da CEEE-D (36 MW) e da Copel na mesma tarde.

2. Incêndio e propagação

Top 3 acertos

  1. Barra (BA), 17–18/09/2026. Fogo de até 2.193 MW de potência radiativa (GOES/INPE) chegou a duas linhas de 500 kV 4 a 17 h depois do primeiro aviso. Acertamos a propagação, não um impacto.
  2. Anastácio/Corumbá 2, 230 kV (MS), 28/08/2026. Alerta às 15:21 UTC com o fogo a 4,6–4,9 km; fogo na linha às 16:49. Conta pela metade: chegou em 1,5 h, não em ~4 h.
  3. Barreiras II/Dianópolis II, 230 kV, 22/08/2026. Alerta a 9,4 km às 14:51 UTC, fogo na linha às 15:19. Mesma ressalva.

Top 3 erros

  1. Alarme repetido — Ribeiro Gonçalves/São João do Piauí, 500 kV (PI). 13 alertas em 10 a 11 dias, sem o fogo chegar a 1,5 km. Causa: a região queima o mês inteiro e o alcance de 3 a 6 h não gira com o vento. Limite: pede supressão por episódio, ainda não feita.
  2. Linha errada — SE Paranatinga (MT), 04/08/2026. O alerta foi para as três Paranatinga/Ribeirãozinho; o fogo foi para Cláudia/Paranatinga e Paranatinga/Sinop. Causa: várias linhas saem da mesma subestação, e o rumo de 6 h escolheu a errada.
  3. Fogo que nasceu na linha — Itumbiara/Rio Verde, 31/08/2026. Foco de 2.078 MW junto a quatro linhas, sem fogo nas 6 h anteriores num raio de 20 km. Limite: ignição no local não se prevê com modelo de propagação; a saída é risco de ignição por ativo.

🔧 O que mudamos: cada alerta de fogo em linha é rotulado no dado como aviso do agora ou previsão, e só as previsões entram no placar.

3. Cheias

O GloFAS roda na escala do modelo global: só vale comparar "quantas vezes a própria referência", não o valor em m³/s.

Top 3 acertos

  1. Rio das Antas/Taquari, 22/09/2026. O GloFAS de 18 e 19/09 punha Monte Claro, Castro Alves e 14 de Julho em 3,6 a 3,9 vezes a referência. A afluência observada (ONS) foi 8 vezes a mediana do mês, e o Taquari chegou a 23,78 m em Lajeado (Grupo A Hora, 22/09/2026). Ressalva: ninguém recebeu esse sinal.
  2. Iguaçu e Uruguai, 12–13/09/2026. O GloFAS de 09/09 dava 7,3 vezes a referência em Santa Clara, 3,9 em Quebra Queixo e 2,8 em São Roque. Itaipu abriu o vertedouro em 13/09 (Rota Bioceânica, 14/09/2026).
  3. Taquari, 21–23/07/2026. Chuva volumosa prevista em 150 a 205 linhas do Sul de 19 a 21/07; o rio chegou a 24 m em Lajeado (Jornal do Comércio, 22/07/2026). Foi chuva prevista, não cheia.

Top 3 erros

  1. Não emitimos previsão de cheia. O GloFAS era gravado desde 09/09/2026 sem nenhum alarme que o lesse; o alarme de vertimento de Castro Alves disparou no dia do pico. 🔧 Uma previsão de cheia por usina, relativa à referência, entrou em sombra em 04/10.
  2. Jacuí, 29/09 a 02/10/2026. Previmos 1,5 a 1,8 vezes a referência em Itaúba e Passo Real; a afluência observada (ONS) foi 4 a 4,7 vezes a mediana.
  3. Monjolinho (rio Uruguai), 12/09/2026. O GloFAS previu abaixo da referência (0,55 vez); a afluência subiu 3,3 vezes a mediana. Limite (erros 2 e 3): bacia pequena que a célula do modelo global não representa.

Por que importa

Para quem opera rede, a pergunta não é "o modelo é bom?", e sim "que aviso chega a tempo?". O ciclone se vê com dias; a linha de instabilidade, com horas; a ignição no pé da torre, só depois. Dizer qual é qual vale mais que um percentual médio.

Como ver no app

O que não afirmamos

E que fique claro: isto é ponto de partida, não palavra final. É a nossa própria régua, sobre dado público, com premissas abertas no repositório. Use como bússola e faça a sua própria análise.

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