Como medimos: base de produção do BrazilGrid, 04/10/2026, sobre dados abertos do ONS e notícias datadas. Os números de "o que mudamos" são de backtest walk-forward (só usa o que se sabia em cada véspera): a melhoria está em sombra, não no ar.
Achado
Toda semana, mostramos onde as nossas previsões acertaram e erraram, com o porquê e o que mudamos. O pior erro abre a conta: para 19 e 20/09/2026, o curtômetro previu na véspera 123 e 118 GWh de corte de renováveis no SIN. O ONS verificou 340 e 342 GWh. Achamos a causa. Em backtest walk-forward, o estimador novo, em sombra, teria dito 310 e 291 GWh.
O pior erro: o corte de 19 e 20/09
- ❌ Centro da faixa publicada na véspera: 123 GWh (19/09) e 118 GWh (20/09). Verificado pelo ONS: 340 e 342 GWh, acima do topo da faixa (P90 de 228 e 198 GWh). Definição: corte com o gate por razão de restrição; sem o gate, o realizado é de 365 e 369 GWh. Fonte: curtômetro BrazilGrid e verificada ONS, consulta de 04/10/2026.
- De 09/08 a 30/09/2026, o realizado do SIN caiu dentro da faixa P10–P90 em 11 de 53 dias (21%); uma faixa honesta ficaria perto de 80%. Mesma fonte e definição.
Por que erramos (medido em produção, 04/10/2026):
- o modelo sabe quando corta, mas não quanto: dia a dia, o número dele tem correlação de 0,03 com o verificado do SIN (09/08–30/09/2026, 53 dias);
- foi treinado com informação que a previsão das 11h não tem: o potencial renovável já verificado e a programação do ONS do próprio dia;
- a faixa era calibrada no teste do modelo, não no que publicamos;
- o histórico que a alimentava estava 6 dias velho, não 3 (custo pequeno: cerca de 1 ponto de erro).
🔧 O que mudamos — em sombra, ainda não está no ar (commit d87f1b92b):
- Um estimador novo usa a programação do ONS: a previsão eólica do ONS para amanhã menos a eólica programada. Backtest walk-forward, 09/08–30/09/2026, 53 dias: faixa P10–P90 com o realizado dentro em 74% dos dias (antes, 21%); viés do centro de −1% (antes, −29%); erro médio de 14% do realizado (antes, 46%).
- No mesmo backtest, 19/09 teria saído com 310 GWh (faixa 262–348) e 20/09 com 291 GWh (faixa 243–322, ainda abaixo do realizado).
- A faixa da manhã passa a ser calibrada no erro do que foi publicado: de 25% para 68% de dias dentro, no mesmo backtest (44 dias), ao custo de uma faixa mais larga.
- Limite declarado: a programação do ONS para amanhã só chega à noite (~20h de Brasília, na nossa ingestão); a previsão das 11h segue sem ela. Saídas: uma "véspera tardia" às 22h no curtômetro, rotulada, e retreinar o modelo só com o que existe na hora da rodada.
Rede: queda de linha × alarme do mapa
Em 10/07–04/10/2026, achamos 4 desligamentos de transmissão com causa meteorológica noticiada (links consultados em 04/10/2026), contra o histórico horário de alarmes do BrazilGrid. São 7 eventos: caso a caso, não taxa de acerto.
- O alarme ao vivo (raio, chuva forte, rajada medida) acendeu nas linhas envolvidas nos 4 de 4, sempre na hora do evento; nos 3 casos com causa não meteorológica, ficou apagado nos 3.
- A previsão (vento, chuva ou tempestade até 48 h antes) acendeu em 2 dos 4 casos meteorológicos e em 2 dos 3 sem relação com o tempo.
- ✅ Santa Vitória do Palmar/Chuí (RS), 06/08/2026. Um vendaval danificou 26 estruturas do sistema de 138 kV que abastece os dois municípios (ABC+, 09/08/2026). Nas 7 linhas de 525 e 230 kV da área, a previsão de vento ficou acesa nas 48 horas anteriores. O ONS registrou interrupção de carga às 17:26, com 1.821 MWh não supridos (dados abertos, perturbação 4124/2026). Mas nessas linhas alguma previsão de tempo fica acesa em 55% das janelas de 48 h dos 87 dias.
- ⚠️ O mesmo trecho, 21/09/2026, madrugada: uma torre de 525 kV caiu entre Vila da Quinta e Taim (A Hora do Sul, 21/09/2026). A previsão de vento acendeu numa linha vizinha de 230 kV e apagou ~11 h antes; na de 525 kV, nenhuma. Causa e o que mudamos: placar de eventos extremos desta semana.
- ✅ Rio de Janeiro, 29/07/2026 (sem antecedência). Uma ventania causou curto-circuito em duas linhas da SE Grajaú (Cenário Energia, 30/07/2026). O alarme de rajada acendeu na mesma hora, e o ONS registrou 717 MW de carga interrompida (perturbação 4013/2026).
- ❌ Rio (29/07) e Ribeirão Preto (SP, 24/07, temporal que desligou 8 das 14 subestações da cidade; Portal Tela, 24/07/2026): nenhuma previsão no histórico nas 48 h antes. Por quê: o histórico grava um risco por linha por hora, e o de incêndio ocupou 37 a 50 das 50 horas, conforme a linha. Uma previsão de vento pode ter existido sem ser gravada: o erro é inconclusivo. 🔧 A gravação de todos os riscos, com hora de emissão e hora-alvo, está em andamento; até lá, não sabemos se previmos.
- ❌ Fortaleza (CE), 14/07/2026: alarme sem relação com a causa. Falhou um equipamento do setor de 69 kV da SE Delmiro Gouveia (Diário do Nordeste, 14/07/2026). A previsão de tempestade tinha acendido por 1 hora, 48 h antes. Limite: previsão de tempestade não é previsão de desligamento. 🔧 Cada alerta passa a ser rotulado como aviso do agora ou previsão, e o placar só conta previsão contra a frequência com que ela acende em hora qualquer.
Janela de trabalho em altura: véspera × vento medido no parque
Rajada = anemômetro do parque (ONS, dados abertos) × 1,20; evento ≥ 15 m/s.
- Em 14/09–03/10/2026, a véspera avisou 47% das horas de rajada (conta original), e 65% dos avisos vermelhos não se confirmaram (hora a hora por conjunto eólico, 20 dias; alertas BrazilGrid contra ONS).
- ✅ Litoral norte do RS, 19/09: 22 de 23 horas de rajada avisadas (máx. 21,6 m/s); sudoeste da Bahia, 17/09: 20 de 24 (máx. 25,3 m/s).
- ❌ Serra de Caetité (BA), 25/09, "janela boa que não era": 13 horas de rajada (máx. 18,4 m/s) com a janela verde; o previsto não passou de 13,0 m/s. Por quê: a rajada prevista a 10 m não vê o vento forte da madrugada na altura do rotor; o acerto da véspera vai de 22% (21h UTC) a 80% (12h UTC). 🔧 Somar o vento previsto a 100 m acerta mais (55% contra 48% das horas de rajada) e erra mais (67% contra 65% dos avisos): troca, não ganho, e a regra no ar não mudou.
- ❌ Interior do Piauí, 18/09, "janela ruim que não era": 22 horas em vermelho sem nenhuma hora ≥ 15 m/s (previsto 18,1; medido 14,5 m/s). Limite: limiar binário sobre previsão com erro típico de 2 a 3 m/s. Saída: probabilidade (fração de modelos acima do limiar).
- 🔧 Erro da nossa régua, já corrigido: na primeira versão desta conta, a véspera parecia acertar mais que o próprio dia. Não acerta: a conta punia o "mesmo dia" por horas que essa previsão nem cobre. Contando só as horas cobertas, o mesmo dia acerta 51%, contra 48% da véspera.
Energia
O ajuste ao vivo da geração eólica do Sul errou 7,0% da capacidade instalada em 19/09/2026, contra 25,3% da previsão antes do ajuste (nowcast × verificada ONS, erro médio sobre a capacidade, 48 semi-horas).
Por que importa
Errar em público só vale se o erro mudar algo. O pior (o corte) virou um estimador novo, medido em backtest. O da janela era da nossa régua, e foi corrigido. Os da rede pedem gravar melhor o que previmos, e dizemos isso em vez de inventar uma taxa.
Como ver no app
- Corte previsto e verificado: curtômetro, painel "Previsão D+1 a D+7".
- Linhas com alarme e previsão no extremo sul do RS: mapa bigSIN.
- Ficha da LT 525 kV Marmeleiro 2 / S. V. Palmar 2: usinas.brazilgrid.com/lt/RSMRO-5SVP-1.
- Uso prático: abra o curtômetro e compare a faixa de amanhã com o verificado da semana passada.
O que não afirmamos
- Não afirmamos que o corte de amanhã já está consertado: o estimador novo está em sombra, medido só em backtest walk-forward (53 dias).
- Não afirmamos taxa de acerto de alarme de linha: são 7 eventos em 87 dias, e a causa vem da imprensa, que pode revê-la.
- O "erro" da janela é do nosso aviso, não do parque; o fator de rajada foi medido num único sítio (Seridó, PB).
- O ONS revisa o verificado de corte depois do fechamento do mês: os números podem mudar.
E que fique claro: isto é ponto de partida, não palavra final. É a nossa própria régua, sobre dado público, com premissas abertas no repositório. Use como bússola e faça a sua própria análise.